sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Agnosticismo Parte I - Nascimento de Deus

Deus existe?
Deus não existe?
O que é existir?
O que é Deus?
O que?
É ou não é?

Existem sacis?
Existem fadas?
Existem dragões?

Nós existimos?

Nalgum momento da história deste mundo a humanidade aceitou que tudo o que existe deve ser captado diretamente pelos nossos sentidos. Depositando uma certa confiança neles, nós acreditamos que existe o chão que pisamos, que existe o vinho que bebemos, o fedor que exala de nosso suor, a melodia do canto dos pássaros e o piscar discreto dos vaga-lumes.

Acreditamos, assim, que o mundo existe. Alguns ousam dizer que esta é uma maneira bastante parecida com o modo dos animais acreditar que o mundo existe, mas temos alguns motivos para fazê-lo: se eu fechar meus olhos por 2 segundos e logo em seguida reabri-los, o mundo continuará lá, talvez apenas um pouco diferente do que era antes. Se eu repetir o mesmo experimento 100 mil vezes, talvez o mundo mude, mas continuará lá. No fim das contas, isto soou e soa convincente o suficiente para desassociar e incompatibilizar o existente do inexistente.

Mas para a humanidade nada é muito suficiente, e tentando entender o que deram o nome de "mundo" e "realidade", criaram alguns instrumentos, dentre eles um tal de "número". E esse número passou a existir no papel, na cabeça dos seres humanos e em alguns textos. E houve uma criança ousada que não caiu muito rápido nessa conversa, alegando que ela não podia ver, cheirar, tocar, degustar ou ouvir os números.
Pobre criança, pregaram-lhe uma peça e não lhe avisaram que agora a razão também servia pra identificar o que existe e o que não existe.

E essa razão já existia, diziam, porque foi ela que começou a dar nome pras coisas. E que era ela quem olhava e dizia: vaga-lume! E quando ouvia: canto! E quando pisava: chão! Muitas eras se passaram até se descobrir que a razão não vê, não ouve, não diz, e nesta que vos narro houve outra criança que não gostou do chão e quis fugir dele, tentando afastar seus pés para cima. E eis que ela não conseguiu: alguns disseram que ela ficou frustrada, outros que a mágica que não deixava as pessoas se afastar do chão se chamava gravidade. E a gravidade agora existia. E os números.

Muitas coisas passaram a existir numa confusão imensa, e aquele empreendimento de dar nome a tudo foi se tornando um exercício repetitivo até que todos do grupo chamavam as coisas do mundo pelos mesmos nomes.

Certa vez, cansados de dar nome às coisas da razão e dos sentidos, deram-se conta que a esfera quente e luminosa que brilhava acima deles escondia se num lugar chamado oeste, dando lugar a uma brisa fria e pouco iluminada. Ao olharem para baixo pouco conseguiam enxergar, mas ao olharem para cima, deram-se conta que a imensidão azul de nuvens e com uma esfera luminosa e quente dava espaço a uma imensidão escura, cheia de pontinhos brilhantes e uma grande e bela esfera (aparentemente maior do que a esfera quente e luminosa), mais fácil e mais agradável de olhar. E de tão agradável fez os homens deitarem-se na relva e verem-na movendo-se lentamente até o canto do mundo, até que a grande esfera quente e luminosa voltou a se apresentar.

"Olha só", gritou uma criança fascinada.
"Lua e Sol"?
Nasceram mais dois nomes e com eles nasceu o movimento. E as pessoas perceberam que não eram só eles que andavam, mas também as esferas brilhantes e as massas branquicentas da imensidão azul e preta do céu.

Existia uma espécie de movimento que prendia a atenção dos homens mais do que todas as outras coisas do mundo: o movimento belo de um pequeno caule que crescia contra a mágica da gravidade e que em poucos dias enfeitava-se com pequenas pétalas rosadas. Também o movimento de alguns pequenos barulhentos, que começavam a se equilibrar em duas patas e que, com o passar dos dias, esticavam e esticavam e esticavam, também contra a força mágica da gravidade e ao mesmo tempo em que paravam de berrar.
E eis que um dia um dos homens (que já há muito tinha parado de se esticar) começou a olhar muito para o chão, e de tanto olhar ficou curvo, e de tanto se curvar ao chão caiu e de lá não mais saiu.
Também não se mexia mais, e agora novamente tudo ficara confuso.

As coisas se mexem, as coisas emitem sons, imagens, gostos, formas e matérias.
Movem-se, crescem, encurvam-se, enfeiam-se, caem e param de se mexer. Enquanto alguns ficaram perplexos, um gênio descobriu que se se colocasse uma semente debaixo do chão, em alguns dias no mesmo lugar haveria um caule com pequenas pétalas esverdeadas.

Já outro, preocupado, concluiu que tudo o que crescia contra a mágica força da gravidade deveria ter sido plantado ou colocado ali por outro homem.
Mas os homens eram poucos e pequenos e o mundo era imenso e vasto, e eles não tinham como colocar os pássaros nas árvores e as folhas em suas copas, e os peixes na água, e as montanhas sobre o chão, pois mal tinham descoberto como colocar sementes debaixo do chão.

"Quem colocou tudo isso aqui?", alguém perguntou.
Depois de muitas horas de choro, ranger de dentes e desespero, concluíram:
"Alguém que veio antes de nós.", disse um.
"Mas quem?"

Mais algumas horas de desespero - a humanidade inventou nomes para dor de cabeça e dor nas costas - antes de concluir:

Há duas esferas grandes lá no céu.
Há montanhas e árvores grandes aqui no chão.
O chão parece ser tão grande quanto o céu.
Nós não alcançamos as esferas lá em cima, não conseguimos colocá-las lá,
nem plantamos essas árvores tão grandes que fazem sombra aqui,
nem percorremos todo o chão sem antes nos cansarmos,
nem sabemos que são esses bichos e essas coisas e isso tudo.
Afinal de contas, quem fez tudo isso só pode ser um super-homem.

"Adeus", disse um homem que alegava muito daquela dor nas costas por estar muito encurvado, e também muita dor de cabeça por estar com o cenho muito acentuado.

"Deus parece ser um bom nome para o criador invisível disso tudo."

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ordem das razões e dos cabelos

Eu tenho um pouco de politólogo e de moralista.
Eu sou um pragmatista com resquícios de utilitarista.
Eu sou chato, mesquinho, egoísta, presunçoso,
ciumento, cabeça dura e nervoso.

Essas são as razões pelas quais eu sou atraído pela filosofia prática e meus cabelos pelos buracos do ralo do banheiro.


Como todo politólogo e todo pragmático, busco prática na teoria e finalidade nos conceitos.

Precisa estar de acordo com o que eu creio (moralismo) e deve servir pra alguma coisa.
Se não está de acordo com o que eu creio, não presta. Pra mim. E eu creio no que presta.

Estas são as razões pelas quais eu continuo no inferno da raiva contida. O fogo ainda queima, mas é suave e constante. Contido. Não arde como a paixão, mas crepita às vezes. É pior do que a labareda dos dragões que torra qualquer carne em segundos.

Prefiro muita dor em pouco tempo do que pouca dor em muito tempo. Malditas proporções! E malditas comparações...
Mas sou parecido com Prometeu neste ponto, que preferia ter seu corpo devorado pelo animal mais feroz, ter sido pisoteado pela mais frenética das manadas ou chorado as lágrimas mais doídas do pior dos sofrimentos (os do amor) do que ter todos os dias o seu fígado devorado por Ethon. Repito: TODOS OS DIAS. Dias parecem a eternidade, assim como as noites, as semanas e os anos. E eu continuo queimando devagar nas brasas infernais da raiva, do desprezo, da indignação.

Mas não me culpo nem me perdoo por isso.
Nem culpo as coisas do mundo.
Que culpa tenho eu se não enquadro minha vida nas frases dos homens célebres?
Que culpa tem as frases dos homens célebres se não se enquadram na minha vida?

Sobrevivo, mas os cabelos caem.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Condenado à poesia?


Eu não quero ser poeta.
Os poetas amam demais, sofrem demais, vivem demais.
Eu repito, eu não quero ser poeta!
Mas às vezes ser poeta é inevitável...
É difícil permanecer na insensibilidade,
como quando você olha a chuva cair lá fora, se apoia na janela e sente as pequenas gotas d'água molhar o seu rosto.
Que vontade de tomar banho de chuva!
Poetas tomam banho de chuva. Deve ser por isso que eles sofrem...

domingo, 19 de agosto de 2012

Desabafo de um arrogante não tão engraçado


De um sorriso (Smile) meio amarelo e desfigurado. E feio. O sorriso? Duvido muito. Mas não há problemas em ter um sorriso feio, há problemas em buscar compreensão e aceitação alheia do seu sorriso. Isso é fraqueza.


Buscar aprovação alheia é fraqueza. Se o motor da sua vida é fazer para os outros, sua vida é vazia. Faça por você mesmo, você é e será sempre a pessoa mais importante em qualquer relação que você esteja. Não espere que as pessoas façam, elas simplesmente não correspondem às suas expectativas. Neste mundo, na maioria das vezes a esperança implica em decepção.



Não peça desculpas porque o que você fez não foi bem aceito por uma pessoa ou por um grupo de pessoas. Não peça desculpas por ter feito algo que você realmente queria fazer. Não peça desculpas quando você não correspondeu à expectativa de alguém. Não peça desculpas...



Desapegue-se. Pessoas nem sempre merecem respeito. Pessoas nem sempre tem atitudes dignas de respeito. Isso não implica em desrespeitar a todos mas respeitar a quem merece.



Você é uma pessoa de respeito?



Você busca o respeito das outras pessoas? Se sim, você é fraco.



O critério que deveríamos usar para saber a resposta à primeira pergunta está em nós mesmos. Você é a medida de si e do mundo que está à sua volta. Você se respeita?



Você se responsabiliza pelas suas ações ou fica procurando escusas e razões pelas quais fez o que fez?



Você tomou as rédeas da sua vida ou resolveu deixar que as coisas simplesmente aconteçam sem interferir em nada?



Você já parou pra pensar na sua vida? Se não parou, você não é muito diferente de um cachorro ou de uma árvore...



Você sente orgulho de quem você é e das coisas que você faz?



Você consegue enxergar quem você quer ser no futuro, a curto, médio e longo prazo?

Você age em conformidade com os objetivos que almeja?


Enxergue as boas ações que fez, as boas coisas que construiu e localize os erros que cometeu. Assuma a responsabilidade por eles e simplesmente não os repita. É simples, não é mesmo?



Não fique reclamando, praguejando e se lamentando.

Não se arrependa, aprenda.
Não espere as mesmas oportunidades que o passado já te ofereceu. Se um dia você esteve próximo de alcançar o que queria mas não conseguiu, construa outros caminhos para alcançar o que quer.


Saiba qual é o seu propósito de vida e permaneça nele.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Voltando ao mundo das cordas, captadores, riffs e distorções

Olá caríssimos leitores

Visto que há poucos dias atrás tomei uma decisão importante, qual seja, a de voltar a me dedicar ao instrumento que eu amo, que é a guitarra,  resolvi postar algo que expresse o que estou sentindo.

Nada mais justo do que buscar inspiração nos mestres. Portanto, segue uma lista abaixo de alguns dos guitarristas que eu busco me espelhar, seguida de comentários e algumas sugestões de músicas.

Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers, do Iron Maiden
   












A começar pelos guitarristas da melhor banda de Heavy Metal que já pisou na Terra. Sim, eu estou falando do Iron Maiden. Muito embora os álbuns mais recentes tenham perdido o peso e a agilidade tão presentes nos golden years da banda (que foi, ao meu ver, de 1982 com o álbum The Number of the Beast até 1992 com Fear of the Dark), vários riffs e solos produzidos por estes guitarristas foram eternizados. Ouçam The Trooper, Run to The Hills, 2 Minutes to Midnight e Be Quick or Be Dead para uma pegada mais rápida, ou Hallowed Be Thy Name, The Evil That Men Do e Afraid to Shoot Strangers para um som mais melódico, recheado de duetos de guitarras e progressões.


Kirk Hammett e James Hetfield, do Metallica


            

















Donos da melhor performance do Rock in Rio 2011, juntos na mesma banda desde a expulsão do florzinha Dave Mustaine. Metallica é uma banda de Thrash Metal estadunidense, fundada por um anúncio de jornal feito por Lars Ulrich. A fase mais true é a que antecede os cânceres Load e Reload, ou seja, do Black Album pra trás. Ouçam Master of Puppets, One, Ride the Lighting, Seek and Destroy, Fade to Black, And Justice for All, Sad but True, Wherever I May Roam e, pra não falar que estou pegando pesado com os álbuns de 96 e 97, ouçam Fuel, mas não peguem a versão da Avril Lavigne!


Randy Rhoads, ex-Ozzy Osbourne




















Sem dúvida, uma das mortes mais trágicas do mundo do Heavy Metal. Randy Rhoads tocou ao lado de Ozzy Osbourne, e gravou 2 discos com ele: Blizzard of Oz e Diary of a Madman. Suas músicas mais conhecidas são Over the Mountain, Mr. Crowley, Crazy Train, Goodbye to Romance, todas de qualidade inquestionável. Randy faleceu aos 25 anos de idade num acidente de avião. Se hoje estivesse vivo, certamente seria um dos melhores guitarristas do mundo. E eu já ouvi falar de uma história que o Ozzy não chorou no velório do pai, mas chorou no velório do Randy...


Dimebag Darrell, ex-Pantera e Damageplan





















Outro que infelizmente já não está mais entre nós é o ex-guitarrista do Pantera e Damageplan, Dimebag Darrell. Poucos hoje conseguem fazer na guitarra o que ele fez: exímio usuário das pontes Floyd Rose, Dimebag mostrou seu talento em todas as músicas que compôs. Dentre as famosas pelo Pantera, estão Cemetary Gates, Cowboys From Hell, Walk, This Love, Revolution is my Name e Psycho Holiday. Dimebag foi assassinado em 2004 por um fan fanático durate uma apresentação pela banda Damageplan, 3 anos depois da saída de Phil Anselmo do Pantera, que resultou na dissolução da banda.


Emppu Vuorinen, do Nightwish















Eu tento ser um pouco seletivo quando o assunto é Metal Melódico. Mas confesso que é difícil achar uma banda igual a Nightwish. Postei o Emppu porque essa foi umas das primeiras bandas de Heavy Metal que eu tive contato. Pra ser mais específico, a primeira música que ouvi foi She is My Sin. Sim, o Emppu bola uns solos e riffs muito bons, como pode ser visto em Nightquest, Slaying the Dreamer, Passion and the Opera, Romanticide, Dark Chest of Wonders e outras.


Jimmy Page, do Led Zeppelin























Pra encerrar, nada mais justo que lembrar de um dos melhores guitarristas de todos os tempos. Page foi inovador no seu estilo de tocar, misturando blues e baladas com riffs rápidos. Ao seu lado, colocaria Tommy Iommi e Ritchie Blackmore como responsáveis por criar o rock pesado que conhecemos hoje. Destaques para D'yer Mak'er, Babe I'm Gonna Leave You, Since I've Been Loving You, Tangerine, Black Dog, Stairway to Heaven e Houses of the Holy.