sexta-feira, 10 de junho de 2011

Eu sou egoísta

Composição : Raul Seixas / Marcello Motta
Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de Deus, do mal
Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão
Se o que você quer em sua vida é só paz;
Muitas doçuras, seu nome em cartaz
E fica arretado se o açúcar demora
E você chora, cê reza, cê pede... implora...
Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho;
Eu quero é ter tentação no caminho
Pois o homem é o exercício que faz
Eu sei
Sei que o mais puro gosto do mel
É apenas defeito do fel
E que a guerra é produto da paz
O que eu como a prato pleno
Bem pode ser o seu veneno
Mas como vai você saber... Sem tentar?
Se você acha o que eu digo fascista
Mista, simplista ou anti-socialista

Eu admito, você tá na pista

Eu sou ísta, eu sou ego

Eu sou egoísta
Eu sou

Por que não?


Fala sério, essa música... Uma das melhores letras que eu já li.
Não é de se estranhar, vindo do Raul... E a Pitty destrói na versão do Baú. Tudo bem que ela se vendeu para o lado emo, mas quando ela gravou ainda tinha sua integridade.
Para quem não conhece ou quer ouvir de novo essa obra-prima, segue o vídeo abaixo:

Miniatura

http://www.youtube.com/watch?v=FaUGVlLW5sc

sábado, 21 de maio de 2011

Epistemologia e o preonceito com a Filosofia

"Porque esse copo de cerveja, NÃO é um copo de cerveja e eu vou te provar!!!!"
Esse é o sarro que alguns amigos meus tiram depois de eu tentar explicar para eles o ceticismo metódico cartesiano. Também, eu mereço: conversar sobre Descartes na mesa de um bar, sábado a tarde bebendo cerveja em Londrina. Disso só duas coisas podem se inferir: ou é um papo entre filosofantes (pessoas estranhas), ou alguém vai ser zoado por falar tanta asneira, e nesse caso eu fui a vítima.
O que poucos sabem é que a filosofia não se resume à epistemologia e a questões metafísicas. Entenda-se por objetos metafísicos aqueles que não encontramos no mundo, apesar usarmos termos para denominá-los. Deus, alma, liberdade, justiça, belo, bem, etc. Raras exceções, ninguém encontra Deus na esquina e acena com a mão, ou liga pra justiça pra marcar uma balada. E a epistemologia é o ramo da filosofia que trata do conhecimento do mundo. Já disse há alguns amigos e, embora eu possa me arrepender do que direi agora, é o que sinto no momento: se não fosse pela ética, lógica e filosofia política, eu não faria filosofia.¹
Mas sem me desviar do objetivo inicialmente proposto, lançarei as bases para fundamentar que é a epistemologia (principalmente) a culpada por nós, estudantes de filosofia, sermos taxados de malucos. Vamos pegar o exemplo de Descartes. Ele próprio diz nas Meditações que não podemos ter certeza de nenhum conhecimento das coisas do mundo. Isso porque nossos sentidos nos enganam, não podemos ter certeza se estamos dormindo ou despertos e ainda, não temos certeza se não existe um Deus maligno, sacana e que se deleita em nos enganar. Disso resulta que é possível que os objetos exteriores a nós não existam. Esse monitor, esse teclado, suas mãos, pés, olhos, nada. Nem mesmo o copo de cerveja que eu falei lá em cima. A primeira certeza que temos é de que somos seres pensantes, e como nenhum Deus pode nos enganar sobre isso, então "penso, logo existo".
Que lindas palavras não é mesmo? Embora essa dúvida de Descartes seja passageira e necessária na sua filosofia, é suficiente para desmotivar qualquer pessoa, especialmente alunos do ensino médio, e pra incutir na mente deles uma segunda certeza. Se a primeira é "penso, logo existo", a segunda é "o filósofo Descartes é doidão".
E pra não dizerem que estou generalizando, vou falar de outro filósofo queridinho por muitas pessoas (inclusive por mim). Platão, fera. Vocês sabem que pra Platão os objetos que existem no mundo são "imperfeitos", mera cópia de uma idéia pré-existente no mundo das idéias. E a alma, antes de se encarnar nalgum corpo, se encontrava em contato direto com essas idéias, que representam a verdade. Ao encarnar, a alma se esquece da verdade e passa, através do corpo, a ter contato sensível com objetos que são cópia das idéias. E pra lembrar-se da verdade, somente pela reminiscência. Alguém poderia dizer: mas professor, então é só eu fumar um baseado que eu vou ter acesso às idéias?
Vai, vai sim. Terceira e quarta certeza: "o filósofo Platão é doidão" e "os filosófos são doidos". Acho que ninguém discordaria muito do que eu disse, porque é assim que as coisas acontecem. E eu nem parei pra falar de Leibniz e dos pré-socráticos, que parecem doidões até pra mim. No entanto, não espero não ser refutado, especialmente pelos meus colegas da filosofia. Mas eu peço, por fim, aos não-filosofantes que abandonem esse preconceito. Embora eu acredite que ele é justificável, há muito mais na filosofia além de doidices. A epistemologia têm um objetivo que é, ao meu leigo ver, o de mostrar até onde pode ir o nosso conhecimento. Embora eu ainda esteja na expectativa pra ver como isso é possível...


¹ Sim, eu me arrependi de ter dito isso. Os olhos só enxergam até onde alcançam, e o campo visual de um aluno (eu) de 2º ano de graduação da UEL não é lá muito amplo...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Epicuro e a ~D

D (O ^ B)
M ↔ (Q ^ ~P) v (P ^ ~Q)
(P ^ ~Q) → ~B
(Q ^ ~P) → ~O
M
____________________
~D

terça-feira, 22 de março de 2011

Pensando sobre (e sob) alguns termos Humeanos

Poucos dias atrás estava lendo Hume, e confesso que me simpatizei com sua forma de escrever e com os seus pensamentos.
Hume é considerado um compatibilista: ele crê que a liberdade e a necessidade possam ser analisadas dentro do mesmo patamar. Elas são amiguinhas, passeiam juntas e andam até de mãos dadas...
Mas o que é necessidade e o que é liberdade?

Necessidade (alguns chamam de natureza), explicando em termos gerais, é o determinismo natural a que todos os seres humanos estão submetidos.
Vamos pensar da seguinte forma: um copo d'água de 200 ml é submetido a uma temperatura inferior a 0º celsius por um período x. Depois desse tempo, a água estará congelada.
Qual a causa da solidificação? Temperatura inferior a 0º por um período x.
Qual o efeito? A solidificação da água.
Se repetirmos o experimento acima ∞ vezes, sob as mesmas condições, o resultado será o mesmo, não é? Espero que ninguém discorde ou prove o contrário, o que seria pior...

De certa forma, as ações humanas não fogem desse padrão (se fugissem seria impossível o estudo das ciências h
umanas e sociais). Mas alguém poderia dizer: mas os homens não agem de forma igual sempre, há casos que sob as mesmas condições aparentes uma pessoa seria capaz de colocar fogo no mendigo que está deitado no banco, enquanto outra daria uma esmola ao coitado.

Claro, perfeitamente possível. E Hume explica: há peculiaridades que diferenciam os homens uns dos outros. Nós não somos robôs, que viemos da mesma fábrica, produzidos e programados da mesma forma para agir sob a condição 1 de forma x e sob a condição 2 de forma y. Onde se encontram essas peculiaridades? Ora bolas, no caráter. O que define o caráter?
Aaaaahhhh, esse é o ponto. Skinner, um psicólogo estadunidense, poderia dizer (ele não disse, não que eu saiba, mas flertaria com tal frase) que "o homem é fruto de seu meio". Você, que ia pra escola e ganhava uma estrelinha quando fazia a tarefa de casa. E uma bronca quando pegava o lápis do colega sem pedir emprestado...
Behaviorismo: os estímulos e as condições do meio (ou condições naturais) determinam o caráter (opa, eu li determinam?) do homem.
Perfeito. Vamos voltar então ao início do post e colocar pingos em alguns is.

Está escrito lá em cima: "Necessidade (...), é o determinismo natural a que todos os seres humanos estão submetidos."
Você pode estar pensando: é, mais lá em cima você falou que o Hume era compatibilista, que colocava a LIBERDADE e a NECESSIDADE no mesmo plano. Mas como eu posso ser livre, se minhas ações são determinadas pelo meu caráter (ou não), e meu caráter é determinado por estímulos do meio em que me encontro?

Ora, mas eu não sou livre. Olha só, sou oprimido pela sociedade, mal tenho dinheiro pra pagar minhas contas, o sistema é culpado pela minha desgraça.

Mas para Hume, você é livre. Porque Hume coloca a liberdade num posto menos elevado do que Kant, por exemplo. E o que é ser livre? Simples, se você faz o que você tem vontade de fazer, você é livre. Se você é coagido a agir de alguma forma, você não é livre.
Ah mas eu não sou livre pra comprar uma Ferrari nem pra morar nas Bahamas porque eu sou oprim...
Calma, há diferenças entre vontade e desejos, ou melhor, entre vontade e poder. Um indivíduo que pode escolher entre Ferrari, Porsche, Jaguar, BMW, é mais livre do que o que só pode escolher entre Chevrolet Celta, Volkswagen Gol, Ford Ka ou Fiat Uno?
Poder não determina liberdade, ou vice-versa.

Ainda sim, Hume está meio que, não sei se posso dizer, ferrado. Vejamos: minha vontade é determinada pelo meio. Se eu ajo conforme a minha vontade, minha ação é livre. Mas minha vontade não é livre.
Logo, se minha vontade é determinada pelo meio, minhas ações também o são.

Ufa, quantas voltas eu dei pra chegar nesse ponto.
E a questão fundamental aqui é a seguinte: como eu posso ser considerado responsável pelas minhas ações, se elas são frutos das determinações e estímulos que recebo do meio?
Deixo vocês pensarem a esse respeito, enquanto eu vou jogar PlayStation 2...

sábado, 19 de março de 2011

Sobre o novo blog e ruídos...

Seguindo alguns exemplos de pessoas próximas a mim que criaram blogs, resolvi seguir a tendência. A princípio, servirá apenas para exposição de ideias e pontos de vista sobre os mais diversos assuntos: música, religião, direito positivo, política, moral, futebol...
Não será uma espécie de muro de lamentações, não virei aqui expressar "o quanto eu sou excluído e desamparado pela sociedade". Claro que o mais próximo disso aconteceria se o Palmeiras perdesse alguma final de Libertadores, aí vocês poderiam se deparar com muitos mimimi, mas como faz tempo (11 anos) que isso não acontece, vocês, meus escassos leitores (se realmente forem plural) a princípio estão livres disso.

E pra não começar sem falar algo que presta, vou colar aqui um comentário inspirado que eu fiz depois de ver o vídeo "Gaiola das Cabeçudas".
O link é oque se segue: http://www.youtube.com/watch?v=NHinweAqbsA&feature=player_embedded

Também tenho ele nos favoritos do meu orkut, se for mais fácil.

Por que não começar expressando meu ódio profundo pelos sons imprestáveis, que só poluem o ambiente e enfiam merda na nossa cabeça, nos fazendo ficar repetindo o mesmo verso ou a mesma estrofe milhões de vezes seguidas? Atire a primeira pedra quem nunca cantou Créu, ou "Quer dançar? O tigrão vai te ensinar". É fato consumado que nos lembramos mais dessas letras infames do que de coisas que nos esforçamos para lembrar, como uma letra de Legião Urbana ou Engenheiros, por exemplo.
Abra-se um parentêse aqui. Sons imprestáveis são: funk, pagode, axé, emo, coloridos e sertanojo universitário. Embora haja quem considere o pagode / samba como uma expressão da nossa cultura, eu respeito mais o RAP, o sertanejo raíz e a MPB. Por motivos que ficam pra outro post.

Bom, aos que ainda não abriram o link do youtube, abram e assistam. Talvez vocês riam, é engraçado e eu ri, confesso.
E os comentários do meu orkut:

Se os pseudomúsicos¹ brasileiros conhecessem ao menos metade do que é dito nesta paródia, não seríamos obrigados a escutar um som tão deploravelmente indecoroso.

¹ Defina-se aqui por pseudomúsico não aquele que estudou música num conservatório, ou que sabe ler partituras, que compõe de forma harmoniosa, poética, crítica e ilustre e que admira letras imponentes. Pseudomúsico é todo aquele que não faz o que foi dito acima, e ainda estraga a fama de quem faz. É aquele que grita créu e faz sucesso, que faz festinha no apê e vai pro baile de sainha. São todos aqueles que envergonham o resto da humanidade (por sinal minoria) que ainda tem um pouco de sensatez e prudência.