sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Life Without You, por Stevie Ray Vaughan

Stevie Ray também é um profeta e anuncia a chegada de novos tempos, e lembra: viver no futuro traz ansiedade e preocupação; no passado, arrependimento e repulsa. Vivamos sem muitos passados e sem mutos futuros, no presente, como SRV nesta música, porque há muito mais deleite no que há do que no que já foi ou pode vir a ser.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

"O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você troca por isso."

E nós somos péssimos apostadores, porque investimos todas as nossas fichas (isto é, nossos dias, horas, minutos de vida, de atenção, de esforço físico e mental) em jogos que não sabemos se ganharemos.

E adivinhe só? Ou você aprende a ser feliz com pequenas apostas e pequenas ambições, ou você perderá sempre.


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sobre a existência e suas bagagens

Será possível uma lógica que sobreviva à desconstrução existencialista (de um Nietzsche ou de um Sartre), justificada, ao menos, pelo seu uso? Será possível a estruturação de um ideal descompromissado da verdade, seja para a orientação da conduta, seja para a explicação do mundo? Será, de fato, intrinsecamente mal o anseio pela verdade ou, ao menos, pela retratação sistemática do mundo? É possível sobreviver ao ceticismo sem as mãos vazias? Que ganhos há, para a existência e para a filosofia, a desconstrução total? Não é ela tão infértil quanto o pensamento mais dogmático? É possível salvar alguma prescrição moral, ou estamos fadados à desorientação, ao amor à realidade incompreensível, à luta constante com a própria existência e às não tão próprias pulsões de vida e de morte, de criação e desconstrução, de movimento e de paralisia? E não haveríamos de negar, então, qualquer hierarquia de valores e de sofrimentos (dos chamados pobres de espírito aos eruditos) - que havemos de fazer com suas lágrimas? Se não podemos sequer escolher uma orientação, como manifestação de nossa própria vontade, que há de original no mundo? Ocupemo-nos menos de acordos alheios, e mesmo menos de nossos próprios... Sejamos apenas, e escolhamos nossas ferramentas para a existência, com as finalidades, os valores e as atitudes que lhes sejam inerentes. Distorçamo-las ao nosso bel prazer e vontade, ou deixemos que distorçam a nós, pois não é a normatização e a idealização da vida uma manifestação de nosso ser? E que mal há se escolhemos ou fomos escolhidos para jogar um jogo específico de regras: por que sempre esvaziar o espaço que está fadado a ser preenchido de algo?

sábado, 20 de junho de 2015

Dez Mandamentos

1. Não tenha certeza de nada.
2. Não pense que vale a pena esconder evidências, pois a evidência deve ser exposta.
3. Nunca desista de um raciocínio que você esteja convencido de estar correto.
4. Quando você encontrar oposição, mesmo que seja de seu cônjuge ou filhos, esforce-se para superá-la por argumentos e não por autoridade, pois a vitória que se baseia em autoridade é irreal e ilusória.
5. Não tenha respeito pela autoridade dos outros, pois para elas sempre haverá autoridades contrárias para serem encontradas.
6. Não use o poder para suprimir opiniões que você considera perniciosas, pois se o fizer as opiniões suprimirão você.
7. Não tenha medo de ser excêntrico em uma opinião, pois para cada opinião hoje aceita ela já foi excêntrica.
8. Encontre mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se você valoriza inteligência como deveria, o primeiro implica em uma concordância mais profunda do que o segundo.
9. Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois é mais inconveniente tentar escondê-la.
10. Não sinta inveja pela felicidade dos que vivem em um paraíso dos tolos, pois somente um tolo achará que isso é felicidade.

Bertrand Russell, Um Decálogo Liberal , A Autobiografia de Bertrand Russel, Vol. 3: 1944-1969, pp. 71-2.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Desamparo - conceito

"E, quando falamos de desamparo, expressão cara a Heidegger, queremos dizer apenas que Deus não existe, e devemos assumir todas as consequências disso. O existencialista se opõe fortemente a um certo tipo de moral laica que pretende suprimir Deus pagando o menor preço possível. Em 1880, quando professores franceses tentaram constituir uma moral laica, eles disseram mais ou menos o seguinte: Deus é uma hipótese inútil e custosa, vamos suprimi-la. Porém, para que exista uma moral, uma sociedade, um mundo que respeite as leis, será necessário que alguns valores sejam levados a sério e considerados como existentes a priori. É necessário que seja obrigatório a priori ser honesto, não mentir, não bater na mulher, criar filhos etc. Vamos, portanto, realizar um pequeno trabalho que permitirá mostrar que esses valores existem mesmo assim, inscritos em um céu inteligível, muito embora, por outro lado, Deus não exista. Dito de outra forma - e esta é, creio eu, a tendência de tudo aquilo que denominamos, na França, radicalismo -, nada mudará Deus não existindo mais; nós encontraremos as mesmas normas de honestidade, de progresso, de humanismo e teremos transformado Deus em uma hipótese ultrapassada que irá morrer tranquilamente e por si mesma. O existencialista, ao contrário, vê como extremamente incômodo o fato de Deus não existir, pois com ele desaparece toda possibilidade de encontrar valores em um céu inteligível; não é mais possível existir bem algum a priori, uma vez que não existe mais uma consciência infinita e perfeita para concebê-lo, não está escrito em lugar algum que o bem existe, que é preciso ser honesto, que não se deve mentir, pois estamos exatamente em um plano onde há somente homens. Dostoiévski escrevera: 'Se Deus não existisse, tudo seria permitido'. É este o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe, consequentemente, o homem encontra-se desamparado, pois não encontra nem dentro nem fora de si uma possibilidade de agarrar-se a algo. Sobretudo, ele não tem mais escusas. Se, com efeito, a existência precede a essência, nunca se poderá recorrer a uma natureza humana dada e definida para explicar alguma coisa; dizendo de outro modo, não existe determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Por outro lado, se Deus não existe, não encontraremos à nossa disposição valores ou ordens que legitimem nosso comportamento. Assim, nem atrás de nós, nem à nossa frente, ou no domínio numinoso dos valores, dispomos de justificativas ou escusas. Nós estamos sós, sem escusas."

Jean-Paul Sartre em O Existencialismo é um Humanismo.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Desabafo/Frustração com a vida política 2015

Está escrito na Constituição Federal, Artigo 37, que "A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá [...]", dentre outros princípios, aos da moralidade e da eficiência. Resta comprovado, contudo, que no Brasil, no que compete a TODOS os entes federativos (isto é, da esfera federal à municipal), a prestação de serviços públicos está a anos luz de seguir os princípios supracitados. No Paraná, um governo que alega falta de dinheiro é, ao mesmo tempo, o que possui o maior número de cargos comissionados. E não bastando a truculência no trato de seus educadores e a postura antidemocrática para aprovação de uma lei cujas consequências aos cofres públicos a longo prazo serão devastadoras, obriga-nos agora a testemunhar uma mentira deslavada, uma ofensa sem precedentes à inteligência e à importância dos professores deste estado.
Enquanto isso, em âmbito federal, o governo aliado dos trabalhadores é incapaz de pôr fim ao fator previdenciário mas não titubeia ao sancionar uma lei que põe fim a alguns direitos trabalhistas tão arduamente conquistados (me refiro à reformulação do seguro-desemprego, em prol da saúde dos cofres públicos). O discurso proferido nos debates dos presidenciáveis favorável à taxação das grandes fortunas resta agora apenas na memória daqueles "velhos ingênuos", partidários e defensores do mal menor.
Nossos legisladores, por outro lado, em nome dos bons costumes e da família tradicional brasileira se esforçam arduamente por uma regressão política travestida de reforma, aprovando a redução da maioridade penal, por vias autoritárias o financiamento privado de campanhas políticas, o "bolsa-esposa-de-deputado-viaja-de-avião", sem falar no insulto à laicidade do Estado (e aos próprios valores cristãos) quando, antes de tais decisões, rezam e pedem a iluminação de Deus...
Diante de tal quadro, não surpreende que ideias de cunho anarquista/miniarquista/neoliberal tomem formas tão sedutoras! O Estado brasileiro conduz-se tanto na direção oposta de suas incumbências que chega a suscitar dúvidas, mesmo nos "esquerdistas", se o capitalismo, em sua forma mais nua, crua e cruel (ou seja, aquela nunca vista em terras tupiniquins) não atenderia melhor às nossas expectativas de justiça...
Resta comprovado, também, que o Brasil não segue nem a direção de um Estado amplo, sustentável e eficiente, nem as vias da liberdade econômica e da iniciativa privada. São nestes trilhos de curvas conservadoras, antiliberais, antidemocráticas, ineficientes e injustas que "segue o nosso bonde". Mas bobo mesmo é o Tiririca que acha que pior que tá num fica...

domingo, 2 de novembro de 2014

Com você

Queria aqui poder falar de qualquer coisa, da simplicidade e da maravilha que é ser um ser humano, que é amar, chorar, sofrer, respirar, sonhar, sorrir. Queria aqui poder falar do mundo que brilha diante de nós e que nos faz brilhar, dos seus encantos e dos cantos encantadores de um passarinho escondido embaixo da janela, ou da sua voz fina e desafinada que vez ou outra arrisca sem perceber alguns versos de amor, ou mesmo daquela canção maravilhosa que ocupa a nossa mente quando ocupamos as nossas bocas com os nossos beijos.

"I think you better close your eyes and let me guide you into the purple rain" Eu só queria ver você se molhar nas águas daquela chuva que nos escondemos sob os cobertores apertados da minha cama...

Eu queria aqui poder falar das infinitas memórias que lutam bravamente contra o tempo e permanecem vivas e sólidas em nossas mentes. Ou mesmo falar da estranha sensação de ver, na mesma pessoa, alguém totalmente diferente do que havia visto no primeiro dia. No nosso caso, as impressões permanecem, e não apenas as primeiras, e que permaneçam para sempre (exceto as marquinhas de dente e alguns pequenos e imperceptíveis roxos no pescoço).

Nossa história foi e é assim; quebramos regras e paradigmas e fazemos o que, supostamente, não deveríamos. Fomos ao cinema sem os nossos pais saberem com quem estamos só para termos o prazer de se beijar no escuro enquanto alguns gritos e suores escorrem na tela do cinema; teríamos nossos próprios gritos e suores refletidos nalguns espelhos suspensos tempos depois, mas naquela noite tudo ficou maravilhosamente bem com um ''eu adoro você, sabia?''.

Éramos proibidos desde o começo, um estilo de Romeu e uma Julieta bastante moderninho, embora fãs do flerte à moda antiga, da fantasia tolkieniana, da filosofia e da vida simples e despreocupada. Gostávamos mesmo era de rir e de cair na grama, e o mundo podia mesmo era acabar ali. Você gostava de implicar com meu boné e elogiar a minha barba e o meu cabelo estranho, enquanto eu me restringia a tentar te beijar em cada esquina e em cada mínima oportunidade.

Era mágico ter você perto de mim. Foi mágico quando a encontrei toda nerdzinha estudando nas mesinhas da UTFPR, com uma réguinha de cachorro que fui obrigado a pegar pra te zoar. Talvez até tenha sido ali que eu constatei que um dos maiores prazeres da minha vida é o de te perturbar e pentelhar.
Foi igualmente mágico quando você disse pra eu não desistir de nós só porque alguém dizia que nós não podíamos ficar juntos. Foi ali, enquanto estávamos sentados no chão gelado do hall da universidade, que eu me senti amado verdadeiramente pela primeira vez na vida. Não havia ouvido, ainda, um eu te amo da sua voz aveludada, mas se hoje sei que amar é também colocar o fardo de outra pessoa nas próprias costas e incentivá-la, tirando forças da alma para fazê-la ir adiante, é porque com meia dúzia de palavras e gestos você me ensinou.

Mas tudo isto aqui, mulher, são só palavras. Eu não vou conseguir falar muito sobre qualquer coisa, porque a barreira do sentir e do dizer me impede, e ainda que fossem a mesma coisa, tantas palavras eu precisaria eu pra descrever a coisa mais simples e mais sublime, que é olhar para o seu rosto enquanto seus olhos brilham e você sorri.

E é então com breves palavras que eu descrevo uma tragédia. Fomos arrancados dos braços um do outro abruptamente, separados pela distância e pelo destino. Fragilizados, buscávamos nos recompor como podíamos, mas nem sempre as coisas aconteciam como antes. Via seu lado ruim, aquele lado que vai além do chulé da sua meia, e você se incomodava mais que de costume com a minha mania de ciumento e de reclamão. Brigávamos, gritávamos e chorávamos, indignados. Brigávamos tanto, não só um contra o outro mas principalmente contra o nosso amor, que chegamos mesmo a pensar que o tínhamos vencido e que era hora de abandonar o ringue. E ele caiu uma, duas, três e tantas vezes.


Mas há um ''quê'' de lógica no amor. Não se abate o imbatível, não se destrói o invencível, não se mata o que insiste em renascer das cinzas.
E como a ave fênix, ele vem lançar vôo sobre nós novamente. A diferença é que, agora, o enxergamos. Cansados, feridos, meio que o domamos. Esperançosos, sabemos que podemos voar lá para as terras onde felizes são os que se deixam cair pelas gramas da praça. E muito além.

E por isso eu te peço, mais uma vez, que venha. Que venha comigo, que segure a minha mão firme o suficiente para não soltá-la, ainda que pareça inevitável. Porque ainda que solte, eu continuarei a segurar a tua para que possamos voar juntos. Porque me foi dito, uma vez, que para ir adiante são necessários sacrifícios, e que não devemos deixar de voar porque pessoas, ou o tempo, ou o destino, ou o que quer que for tenha dito que não devemos.

E eu quero voar com você para a última das estrelas que nós encontrarmos no céu. Não para, com ela, ter uma lembrança tua, que certamente seria especial, mas para, do seu lado, nela fazer moradia. E deitar, e sonhar, e sentir e viver, tudo outra vez. Com você.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O enunciado da propriedade e o legislativo

O estabelecimento da propriedade, para alguns filósofos, dá-se assim: apropria-se de algo e, na sequência, exclama-se o direito. Declara a obrigação de todos os outros indivíduos a respeitarem-no, sem que, todavia, tenham sido consultados para o seu estabelecimento. O paradoxo deste ato reside na reivindicação um direito que diz respeito aos interesses alheios e que cuja fundação ignora-os. Tal declaração se assemelha muito a daqueles funcionários do legislativo, que declaram o aumento dos próprios ganhos sem que, contudo, este aumento passe pelo crivo de quem os sustenta.

Tais atos não apenas desprezam os outros indivíduos em seus interesses, mas impõe sobre eles obrigações que, muitas vezes, seriam prontamente rejeitadas. Se assim o é, não há legitimidade na propriedade unilateralmente estabelecida e no aumento de benefício de uns sem o consentimento dos mais prejudicados.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

"Fatos morais"

Hoje à tarde, antes da vexatória eliminação da Espanha na Copa do Mundo, eu e minha mãe conversávamos sobre as reformas na cozinha de casa: uma nova pia, um novo balcão, um novo fogão e um novo armário. Minha mãe, uma dona de casa cristã de 57 anos, discursava com alegria sobre o fato de estar renovando o ambiente mais movimentado e importante da casa. Comentou, inclusive, que fez alegre também a "mulher do lixo reciclável", que sempre passa por aqui pra recolher papelão e, de brinde, leva roupas usadas. Desta vez, foi premiada com um fogão e um armário de muitos anos de cozinha.

O curioso é que, na sequência, a expressão do rosto de minha mãe mudou de alegre para séria com um toque de tristeza. Comentou sobre a pobreza da senhora e sobre a existência de pessoas que se satisfazem muito com o que, para nós, é lixo. "Eu fico triste com isso. Nós devíamos todos poder ter as nossas coisas com igualdade" ela diz, talvez sem perceber a profundidade de suas palavras. Eu, tocado, me limito a responder um "É nisso que eu acredito, minha mãe. É nisso que eu acredito..."

Dias antes, numa das mesinhas do CFH da UFSC, eu, um italiano e um uruguaio discutíamos sobre neoliberalismo e sobre as crises inerentes ao capitalismo (estávamos no intervalo de uma aula sobre Marx). O torcedor da Celeste, também de inspiração rawlsiana, se limitara a dizer que "hoje, se você é partidário do neoliberalismo, você não é apenas irracional, você é uma pessoa má-intencionada". Uma frase curta mas que faz sentido, uma vez que é a ausência de controle do mercado e das transações financeiras que gera crises como as de 1929 e de 2008. E a consequência de tais crises não poderia ser mais óbvia: desemprego, instabilidade política, pobreza, miséria, fome...

Comentário que me fez lembrar, claramente, do libertarismo de Nozick que, embasado numa doutrina do direito natural, alega a ilegitimidade de políticas públicas de ensino, de saúde, de distribuição de renda. Um argumento que cria um abismo entre os âmbitos ético e jurídico, entre o que é dever de um indivíduo e o que é lícito a um Estado obrigar.

Muitas objeções poderiam ser feitas a tal doutrina.

Uma de índole rawlsiana é aquela que foi apresentada no Bar de Harvard: não há um direito natural à propriedade, você tem o que você tem apenas porque outros indivíduos, em suas ações, consentem a um conjunto específico de regras que lhe confere títulos de proprietário disso e daquilo. Tal consentimento é, muitas vezes, uma restrição dos interesses de mais alto grau destes cidadãos - abrange, inclusive, a limitação de acesso aos bens mais básicos para a sobrevivência e para uma existência minimamente digna.
Você tem o que você tem por razões históricas que não se fundamentam numa verdade transcedental, no direito divino dos reis, no legitimidade jurídica da herança e da transferência de titularidade...

Impossível também não lembrar de Marx e Engels, que rejeitariam o libertarismo por se tratar, em última instância, de um revestimento de interesses pessoais, da intenção da burguesia de manter seu status de classe dominante e os luxos que a acompanham.

Para mim, no momento, basta acreditar na falsidade do neoliberalismo - nem preciso ir além e, apelando para sua metafísica, alegar uma pretensa universalidade destituída de sentido.

E eu, ao final de tudo, mesmo não sendo um realista moral, tive uma intuição: nós, enquanto pessoas e enquanto cidadãos, temos o DEVER ÉTICO de fazer vigorar instituições políticas, leis e ações afirmativas que promovam a igualdade de renda, a saúde e a educação públicas e de qualidade, a geração de empregos, a garantia de moradias na área urbana e distribuição de terras na área rural, em poucas palavras, instituições que garantam não só o mínimo para a sobrevivência, mas o necessário para uma vida com dignidade e lazer, numa sociedade onde o sentimento de respeito mútuo e de cooperação recíproca exista e que possibilita a seus cidadãos realizar seus planos racionais de vida no mais alto grau.