quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Voltando ao mundo das cordas, captadores, riffs e distorções

Olá caríssimos leitores

Visto que há poucos dias atrás tomei uma decisão importante, qual seja, a de voltar a me dedicar ao instrumento que eu amo, que é a guitarra,  resolvi postar algo que expresse o que estou sentindo.

Nada mais justo do que buscar inspiração nos mestres. Portanto, segue uma lista abaixo de alguns dos guitarristas que eu busco me espelhar, seguida de comentários e algumas sugestões de músicas.

Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers, do Iron Maiden
   












A começar pelos guitarristas da melhor banda de Heavy Metal que já pisou na Terra. Sim, eu estou falando do Iron Maiden. Muito embora os álbuns mais recentes tenham perdido o peso e a agilidade tão presentes nos golden years da banda (que foi, ao meu ver, de 1982 com o álbum The Number of the Beast até 1992 com Fear of the Dark), vários riffs e solos produzidos por estes guitarristas foram eternizados. Ouçam The Trooper, Run to The Hills, 2 Minutes to Midnight e Be Quick or Be Dead para uma pegada mais rápida, ou Hallowed Be Thy Name, The Evil That Men Do e Afraid to Shoot Strangers para um som mais melódico, recheado de duetos de guitarras e progressões.


Kirk Hammett e James Hetfield, do Metallica


            

















Donos da melhor performance do Rock in Rio 2011, juntos na mesma banda desde a expulsão do florzinha Dave Mustaine. Metallica é uma banda de Thrash Metal estadunidense, fundada por um anúncio de jornal feito por Lars Ulrich. A fase mais true é a que antecede os cânceres Load e Reload, ou seja, do Black Album pra trás. Ouçam Master of Puppets, One, Ride the Lighting, Seek and Destroy, Fade to Black, And Justice for All, Sad but True, Wherever I May Roam e, pra não falar que estou pegando pesado com os álbuns de 96 e 97, ouçam Fuel, mas não peguem a versão da Avril Lavigne!


Randy Rhoads, ex-Ozzy Osbourne




















Sem dúvida, uma das mortes mais trágicas do mundo do Heavy Metal. Randy Rhoads tocou ao lado de Ozzy Osbourne, e gravou 2 discos com ele: Blizzard of Oz e Diary of a Madman. Suas músicas mais conhecidas são Over the Mountain, Mr. Crowley, Crazy Train, Goodbye to Romance, todas de qualidade inquestionável. Randy faleceu aos 25 anos de idade num acidente de avião. Se hoje estivesse vivo, certamente seria um dos melhores guitarristas do mundo. E eu já ouvi falar de uma história que o Ozzy não chorou no velório do pai, mas chorou no velório do Randy...


Dimebag Darrell, ex-Pantera e Damageplan





















Outro que infelizmente já não está mais entre nós é o ex-guitarrista do Pantera e Damageplan, Dimebag Darrell. Poucos hoje conseguem fazer na guitarra o que ele fez: exímio usuário das pontes Floyd Rose, Dimebag mostrou seu talento em todas as músicas que compôs. Dentre as famosas pelo Pantera, estão Cemetary Gates, Cowboys From Hell, Walk, This Love, Revolution is my Name e Psycho Holiday. Dimebag foi assassinado em 2004 por um fan fanático durate uma apresentação pela banda Damageplan, 3 anos depois da saída de Phil Anselmo do Pantera, que resultou na dissolução da banda.


Emppu Vuorinen, do Nightwish















Eu tento ser um pouco seletivo quando o assunto é Metal Melódico. Mas confesso que é difícil achar uma banda igual a Nightwish. Postei o Emppu porque essa foi umas das primeiras bandas de Heavy Metal que eu tive contato. Pra ser mais específico, a primeira música que ouvi foi She is My Sin. Sim, o Emppu bola uns solos e riffs muito bons, como pode ser visto em Nightquest, Slaying the Dreamer, Passion and the Opera, Romanticide, Dark Chest of Wonders e outras.


Jimmy Page, do Led Zeppelin























Pra encerrar, nada mais justo que lembrar de um dos melhores guitarristas de todos os tempos. Page foi inovador no seu estilo de tocar, misturando blues e baladas com riffs rápidos. Ao seu lado, colocaria Tommy Iommi e Ritchie Blackmore como responsáveis por criar o rock pesado que conhecemos hoje. Destaques para D'yer Mak'er, Babe I'm Gonna Leave You, Since I've Been Loving You, Tangerine, Black Dog, Stairway to Heaven e Houses of the Holy.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Rock in Rio: um evento sem muito rock...

Bom, depois de mais de um mês se algum post útil, resolvi perder alguns minutos da minha vida pra escrever sobre o evento que não quer calar: Rock in Rio.

Li várias notícias a respeito do evento, também vi algumas reportagens. Fiquei sabendo que a Katy Perry beijou um fã no palco e que a Cláudia Leitte foi vaiada. Mas não é exatamente a esse respeito que eu quero falar.
O que me intrigou e me fez pensar a respeito foi o título dessa reportagem: http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=55480

"O Rock in Rio começou ontem, mas já acabou".

No caso o ontem foi sábado, já que sexta-feira não teve muito rock...

Tudo bem, teve a Cláudia Leitte sendo vaiada. Era de se esperar: os caras colocam o show dela depois dos Paralamas e dos Titãs! Eu curto as duas bandas, conheço fãs dessas bandas e ninguém morre de amores pela Cláudia Leitte. Quem paga o ingresso pra ver um não quer necessariamente ver o outro, esse é o ponto. Se o estilo fosse mais homogêneo, tudo bem. Acho que quem ouve Katy Perry não vê problemas em ouvir Claudia Leitte também, e vice-versa. Injustiça feita com Titãs e Paralamas! Deviam ter tocado no sábado...

Se bem que sábado, pra mim, foi um dia podre. Por sorte o Capital Inicial salvou a noite. Aí vem a pergunta: não seria melhor colocar Titãs, Paralamas e Capital no mesmo dia, junto quem sabe com Skank ou Frejat? Ficaria mais homogêneo, não? E sem dúvida seria um show de muita qualidade. Se bem que não há problemas em colocar nacionais e internacionais juntos. Mas por que não colocar NX Zero e Glória pra tocar num palquinho bem afastado do público rockeiro? De preferência do lado de um precipício...

Aliás, o Glória foi a atração do domingo. Que vergonha! Quem organizou esse evento não tinha boas coisas na cabeça. Ainda mais por terem colocado o Sepultura no palco Sunset, junto com o Angra e Tarja Turunen. Ridículo. E alguém aí já ouviu Coheed and Cambria? Não estou questionando se os caras são bons ou não. Podem até ser, mas são muito desconhecidos, não mereciam estar no palco principal, e só fizeram um sucessozinho porque tocaram "The Trooper" da banda que mais fez falta nesse evento, o Iron Maiden...

Outra sugestão: uma noite começando com Angra + Tarja (assim os mais fanáticos não xingam o Edu de viadinho, melhor ele do que o Glória!!), seguida de Sepultura, Motorhead, Slipknot e Metallica. Seria uma legítima noite do METAL, que é o que tentaram fazer no domingo, mas não fizeram. Por sorte dos organizadores, essas 3 últimas bandas podem tocar até no deserto do Saara que fazem um bom show...
E quanto ao Matanza, certamente mereciam um lugar no palco principal. Que banda foda, imagina que irado seria ouvir Matanza e Motorhead no mesmo dia ou noite!!!

Acho que está tudo OK com os outros dias. Domingo que vem vai estar fera: Detonautas, Pitty, Evanescence, SOAD e Guns! Animal! Só pessoal bom. Ninguém corre o risco de ser vaiado (no máximo a Pitty se continuar com sua emotividade, mas enfim).

Não questiono aqui a legitimidade do evento. Rock in Rio tocando Ivete Sangalo, Rihanna e Shakira? Parece estranho porque não é rock. Mas também toca Ed Motta e Milton Nascimento que são caras muito bons... Eu perderia muitas horas falando "porquê NX Zero nao merece ser chamado de Rock, nem tocar no Rock in Rio", mas seria inútil, visto que os leitores desse blog tem bons gostos musicais.

Só um apelo (para o além): se continuarem colocando shows ruins e misturando bandas que não deviam misturar, sempre haverá músicos sendo vaiados e pessoas que evitam ir no show por não curtir a "diversidade" proposta pelo evento. Pode tocar bandas de estilos diferentes, não tem problema tocar metal melódico seguido de metal oitentista, ou tocar emozinho e chororô. O problema é misturar isso com axé, pop e outras coisas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Direita versus Esquerda: uma reflexão

Acho lamentável a distinção que algumas pessoas fazem entre a direita e a esquerda política. Pra início de conversa, já não acho esses nomes suficientes pra taxar nem um discurso político qualquer, quanto mais um governo ou um partido. Há sempre alguns pormenores, algumas questões que sempre estão em jogo e que permanecem sem solução, seja para capitalistas ou socialistas.
Mas vejamos o célebre texto que ilustrou a caixa de entrada do meu e-mail:
Direita versus Esquerda
Quando uma pessoa de direita não gosta de armas, não as compra.
Quando uma pessoa de esquerda não gosta das armas, proíbe que você as possua.
Compreensível a indignação, visto que é inerente ao que chamamos de esquerda uma valorização menor da liberdade em troca de uma maior distribuição de renda, erro ao meu ver fatal, o maior pecado dos sistemas não-liberais. Mas não é inerente à esquerda ser a favor do desarmamento...
Quando uma pessoa de direita é vegetariana, não come carne..
Quando uma pessoa de esquerda é vegetariana, faz campanha contra os produtos à base de proteínas animais.
Faz algum sentido isso? Quero dizer, TODAS as pessoas vegetarianas de esquerda fazem protesto contra os produtos à base de proteínas animais? E as outras pessoas de direita, centristas, apolíticas não podem ser vegetarianas e repreender as atrocidades cometidas contra os animais nos meios de produção?
Quando uma pessoa de direita é homossexual, vive tranquilamente a sua vida como tal.
Quando uma pessoa de esquerda é homossexual, faz um movimento com alarde para que todos também se tornem homossexuais e os respeitem.
Mesmo migué que o de cima, mas vale a atenção pra um ponto: eu acho legítima a desobediência civil como um direito de resistência ou como forma de protesto. Se um grupo se sente prejudicado ou se acha que merece mais do que aquilo que a constituição lhe garante, tem todo o direito de sair às ruas, gritar, espernear, fazer barulho, interromper o sinal, desde que não se importe em ser taxado de baderneiro e que seja um "protesto honesto", sem violências e sem atitudes desnecessárias, como vandalismo. Um exemplo: parada gay.
Quando uma pessoa de direita é prejudicada no trabalho, reflete sobre a forma de sair dessa situação e age em conformidade.
Quando uma pessoa de esquerda é prejudicada no trabalho, levanta uma queixa contra a discriminação de que foi alvo e vai à Justiça do Trabalho pedir indenização por dano moral (e o pior: ganha!).
O pessoal da esquerda realmente é bastante baderneiro né? Pois eu já vi muito nego meter empresa no pau só pra ganhar dinheiro. E pior que isso, já vi nego ser literalmente explorado. E se vier algum troxa de direita me chamar de marxista, eu digo: nesse ponto, Marx estava certo.
Vou dar um exemplo que eu mesmo vivi. Trabalhava numa empresa maravilhosamente bem estruturada no município de Londrina, empresa essa que não precisarei citar o nome, e eu recebia um salário mínimo para trabalhar 36 horas semanais. E eis que com uma pequena (enorme) frequência meus supervisores me pediam para vir em reuniões fora do meu horário de trabalho. O engraçado é que não era um pedido, era uma chantagem: se eu não fosse, não teria o apoio deles numa possível entrevista para promoção, não teria ajuda para troca de horário ou dia de folga, etc. E a melhor parte: as reuniões, além de fora do horário de serviço, eram contadas como pró-atividade. Em outras palavras, simplesmente não eram remuneradas.
Quando uma pessoa de direita não gosta de um debate transmitido pela televisão, desliga a televisão ou muda de canal.
Quando uma pessoa de esquerda não gosta de um debate transmitido pela televisão, quer entrar na justiça contra os sacanas que dizem essas sandices. Se for o caso disso, uma pequena queixa por difamação será bem-vinda.
Isso é verossímil, digo, alguém já viu isso acontecer? Nem em novela, nem em livro, nem mesmo na televisão. Acho que nem aqueles que evitam falar com "mídias corporativistas burguesas" chegariam a esse ponto.
Quando uma pessoa de direita é ateu, não vai à igreja, nem à sinagoga e nem à mesquita.
Quando uma pessoa de esquerda é ateu, quer que nenhuma alusão a Deus ou a uma religião seja feita na esfera pública, exceto para o Islã (com medo de retaliações provavelmente).
Maravilha, tocou no ponto que eu queria. Eu não me considero de esquerda, e acho um absurdo qualquer alusão a Deus ou a outras divindades e religiões em algumas instituições públicas e políticas. Por exemplo, é ridícula a influência do cristianismo nas leis de um pais, como o Brasil, que proibia a união homoafetiva até pouco tempo atrás, e que (muitos acharão ruim) tem feriados para páscoa, dia da padroeira, natal. Para os mimimi, a lei nº 10.607 declara que 25 de dezembro é um feriado federal. Os outros são considerados, pela lei 9.093 "feriados locais", ou, em outras palavras, "feriados locais que são aceitos só num local: Brasil".
Também acho ridícula a existência de crucifixos em escolas públicas, ou mesmo hospitais públicos com nomes de santos e afins. Ir contra isso não quer dizer que sou contra a alusão de qualquer religião em outras esferas. Uma passeata a favor do cristianismo, embora tediosa, é legítima, tal como uma passeata a favor do ateísmo.
Mas isso envolve sérios problemas. O Estado é laico (ou ao menos é o que deveria ser), e o pluralismo é tão grande que deve-se garantir A PRIMAZIA DA JUSTIÇA sobre concepções particulares de bem. Em outras palavras, eu partilho do ponto de vista que é possível uma formulação elementar sobre o que é justo, e essa formulação não deriva de nenhuma concepção de bem particular, mas as antecede. Explicando de um modo ainda mais simples: um ateu pode ter uma opinião diferente de um cristão num debate sobre penas para homicidas, ou sobre a distribuição de camisinhas no carnaval. Isso não significa que não possamos tratar a ambos com os mesmos princípios de justiça.
Quando uma pessoa de direita, mesmo sem dinheiro disponível, tem necessidade de cuidados médicos, vai ver o seu médico e, a seguir, compra os medicamentos receitados.
Quando uma pessoa de esquerda tem necessidade de cuidados médicos, recorre à solidariedade nacional.
Solidariedade nacional... Podemos substituir o direita e esquerda por rico e pobre? O termo "mesmo sem dinheiro disponível" não foi bem empregado, pois se o Estado se dispõe a oferecer a todos saúde pública (leia-se gratuita) e o indivíduo não tem condições de recorrer a uma consulta particular ou mesmo de pagar pelos seus próprios remédios, deve ele morrer por não ser capaz de comprar sua cura? Ou deve ele rancar dinheiro do cu, tal como fez o carinha da direita ali em cima, e comprar os remédios? Porque é muito interessante esse método, eu gostei bastante: se eu não tenho dinheiro pra comprar uma coisa e eu preciso dessa coisa, a solução simples é pegar dinheiro e comprar essa coisa. Vai entender.
Quando a economia vai mal, a pessoa de direita diz que é necessário arregaçar as mangas e trabalhar mais.
Quando a economia vai mal, a pessoa de esquerda diz que os sacanas dos proprietários são os responsáveis e punem o país.
Não, uma pessoa de direita não diz que é necessário arregaçar as mangas, ao menos não num primeiro momento. Ela diria que isso é um mal necessário: eu penso que uma sociedade capitalista/liberal sai na frente por garantir maior liberdade aos seus cidadãos. A liberdade é que deve ser a prioridade. Quer coisa mais triste que a sorveteria estatal cubana? Imagine você não poder escolher o que comer, o que vestir, aonde ir, o que fazer, como fazer, com quem fazer, quando fazer... Claro, eu particularmente conheço algumas pessoas que se dizem socialistas e que dão grande importância à liberdade, se aproximando muito de um discurso liberal: dois maconheiros, um de direita e um de esquerda, convergem no ponto de acreditarem que o Estado deve interferir o mínimo possível na vida particular do indivíduo.
Bom, após o desabafo, a razão disso. Eu fico indignado com preconceitos e preconceituosos, e como são feitas algumas inferências a partir de dados tão singulares. Esse texto mostra como o pessoal da esquerda é taxado de baderneiro, provavelmente devido à má expressão de algumas pessoas que se intitulam de esquerda. E não são só eles que sofrem, embora eu pareça demasiado compassivo, o mesmo acontece com gays, ateus, maconheiros, etc. Pensar assim não é só pensar de maneira preconceituosa (e burra), é ignorar a realidade dos fatos: a opinião política não determina (tal como tentou provar o queridíssimo acéfalo que escreveu esse texto) qual será o seu caráter, suas ações, seus pensamentos, seus amigos e seu futuro, mas pode (e deve, através da expressão dessas opiniões numa esfera pública) colaborar para a construção de uma sociedade mais justa.